A história e as histórias da faculdade de Direito mais importante do Brasil 

No dia 11 de agosto de 1827, um decreto assinado pelo imperador Dom Pedro I criou os dois primeiros cursos jurídicos do Brasil: a Faculdade de Direito de São Paulo e a Faculdade de Direito de Olinda. 

Enquanto a instituição pernambucana mudou-se posteriormente para Recife, a de São Paulo continua onde sempre esteve: no Largo São Francisco, na região central da cidade.

O imóvel escolhido para sediar a faculdade paulistana era originalmente um convento e foi construído no século 16. Na década
de 30, a faculdade ganhou um novo prédio, projetado por Ricardo Severo. 

Essa reforma, aliás, deu à Faculdade de Direito de São Paulo uma característica marcante: os arcos que rodeiam o pátio interno. Por causa deles, a instituição passou a carregar o apelido de Arcadas.

Foi na segunda metade do século 19 que a São Francisco se firmou como a mais importante formadora de pensadores do Direito do Brasil, tendo como ilustre exemplo o jurista baiano Ruy Barbosa. 

Além dos homens das leis, a instituição também formou grandes nomes da literatura brasileira, casos do poeta Castro Alves (foto) e dos romancistas José de Alencar, Bernardo Guimarães e Raul Pompéia. 

Outro traço muito peculiar da faculdade é o fato de ela ter se tornado uma fábrica de presidentes da República: foram 13 saídos de seus bancos, sendo Michel Temer o mais recente deles. 

A Faculdade de Direito foi a primeira a integrar a Universidade de São Paulo, criada em 1934. E, não por acaso, a primeira sede da reitoria da USP foi justamente o prédio do Largo
São Francisco. 

Prédio que, curiosamente, abriga um túmulo: o do alemão Julius Frank, professor da instituição no século 19
e criador de uma confraria secreta de alunos que durou até ser proibida, na década de 20. 

Reza a lenda que Julius Frank só foi enterrado lá porque, na época, os sepultamentos eram realizados em igrejas católicas, algo que não poderia ser feito com o alemão, que era protestante. 

Nos anos 70, cogitou-se a mudança da São Francisco para a Cidade Universitária, mas foi tamanha a gritaria de alunos e professores que ela foi mantida onde está, firme e forte, desde 1827.